O Suspeito
Atravessou a rua às pressas para ir à loja, estava atrasado para o trabalho e tinha que trocar a peça de roupa naquele horário, pois precisaria dela mais tarde.
Olhou para os lados afoito e seguiu em direção ao destino. Olhando para os lados, seus passos estavam acelerados.
Guardou o celular e segurou a maçaneta. Antes de abrir a porta de vidro, foi surpreendido por três policiais dando voz de prisão, algemando-o imediatamente. Estavam furiosos, mandando-o se calar, colocando algema de forma agressiva e violenta.
Pego de surpresa, espantou-se, mas não reagiu, não quis piorar a situação. Apenas colocou seus braços para trás e deixou ser algemado.
As atendentes, ao reconhecê-lo, espantaram-se, olhando para ele com um profundo medo e desapontamento, torcendo para que nunca o vissem novamente.
Um dos policiais entrou na loja e se direcionou a uma das atendentes, estava extremamente sério. Deu passos firmes até a moça e se apresentou.
Naquele momento, o medo percorria por todo o seu corpo, mas não o demonstrava. Apresentou-se imediatamente. Era a proprietária da loja. Com essa revelação, o policial iniciou diversas perguntas relacionadas ao criminoso.
Anotou cada resposta de forma detalhada, sem deixar nada para trás.
Segundo ela, ele foi para trocar peças e nunca notou comportamentos estranhos ou que causassem desconforto a ela ou a alguma funcionária.
Ao anotar todas as informações, o policial perguntou se ela gostaria de depor contra. Ela hesitou por um tempo, mas aceitou.
Naquele dia, devido ao choque, fecharam a loja. A proprietária acalmou as funcionárias e esperou irem embora.
Ao fechar a loja, avisou todo o ocorrido ao marido e seguiu para a delegacia. Estava receosa de dizer algo errado, estava confusa. O rapaz se mostrava tão educado na sua primeira ida, ninguém imaginaria que ele fosse criminoso.
Chegou ao local após vinte minutos, estava tensa. Desligou o carro e ficou por alguns minutos encarando a fachada da delegacia, se perguntando qual o crime que ele cometeu.
Suspiro.
Balançou a cabeça negativamente e saiu do veículo, seguindo para a recepção tensa.
Ao entrar, contou para a recepcionista o motivo de ali estar. Teve de esperar ser chamada.
Demorou apenas cinco minutos. O delegado foi chamá-la, conduzindo-a até a sala para ela depor.
Sentou-se tensa, nervosa. Seria sua primeira vez a depor contra alguém, isso lhe causava uma tensão imensa.
O delegado sentou-se em seguida, de frente a ela. Abriu uma ficha, leu algumas anotações e iniciou as perguntas.
Ela respondia cautelosamente para não errar e responder diferente das perguntas do policial.
O delegado olhava atentamente para ela toda vez que respondia a uma pergunta. Ela olhava nos olhos dele em todas as respostas, estava ciente das suas palavras, apesar do medo daquele ambiente.
Respondeu tudo sem hesitar uma palavra. Por fim, assinou um papel.
O delegado agradeceu sua contribuição.
Naquele caso, todas as testemunhas estavam protegidas, pois o criminoso era extremamente perigoso.
Apertaram as mãos e foi liberada. Saiu torcendo para nada acontecer, para não ser perseguida pelo criminoso.
Seguiu para a sua casa.
O delegado, após finalizar com a testemunha, seguiu para a sala onde o criminoso estava. Não queria perder absolutamente nada daquele caso.
O rapaz, Bruno, estava calmo, porém confuso. Não entendia o que estava acontecendo. Muito menos o motivo de sua prisão.
Estava sentado com os braços algemados para trás, com dois policiais, um em cada lado. A segurança era extrema.
O semblante do delegado agora era de raiva, ódio, quase ultrapassando o profissionalismo. Mas era impossível não ter aqueles sentimentos diante de um criminoso tão macabro.
Ele sentou-se de frente para o criminoso e o encarou por longos minutos, desconfortando-o.
Ao ver o delegado, Bruno ficou ereto na cadeira, mas foi mudando sua expressão corporal conforme os intensos olhares continuavam sobre si. Agora, pensava na sua esposa e filha, o que pensariam ao serem notificadas sobre sua prisão? Não saberia como explicar.
Os policiais os encaravam com uma expressão próxima ao ódio. Não foi um crime leve, foi uma fatalidade imperdoável.
Suor frio. Respiração acelerada. Inquietação.
O clima estava pesado, incômodo para os quatro que ali estavam. Os policiais estavam atentos a cada mínimo movimento, era tudo muito cauteloso.
Bruno ficava tenso a cada minuto que passava, sentia seu corpo tremer, sua mente estava inquieta, mil coisas passavam por ela. A preocupação com sua esposa e filha era extrema.
Após os olhares intensos, o delegado finalmente se pronunciou para Bruno:
— Por quê? — ficou em silêncio, esperando pela resposta.
— Não entendi a pergunta, senhor delegado — retrucou confuso e apavorado.
— Agora vai fazer de desentendido? — perguntou o delegado em um tom seco, irritado.
— Desculpa, senhor, mas realmente não estou entendendo nada dessa situação — respondeu enquanto se posicionava na cadeira.
— Agora não está? Depois de toda a merda que você fez? Não estou para brincadeirinhas! — disse após dar um tapa intenso na mesa, assustando até os policiais.
Bruno estremeceu. Engoliu em seco, sentindo seus olhos lacrimejarem.
— Agora que te encontramos, eu não quero mais perder meu tempo para ficar olhando sua cara — apontou o dedo indicador destro — só quero finalizar e te levar para onde merece ficar o resto da vida.
Agora Bruno estava apavorado.
— Quero meu advogado aqui! — exclamou, nervoso e trêmulo.
O delegado olhou para os dois policiais com deboche, riu brevemente, balançou a cabeça negativamente e se levantou para atender ao pedido.
Bruno contou os minutos para ver seu advogado.
O advogado demorou meia hora para chegar à delegacia, pois não podia sair do compromisso. Entrou esbaforido, tenso, confuso, mas curioso.
Apresentou sua identidade da OAB e mostrou para se identificar, solicitando o motivo da detenção de seu cliente. Conhecendo-o há tanto tempo, sentia-se confuso.
O delegado apareceu apressado, queria acelerar o processo de prisão de um criminoso perigoso. Estava irritado pelo acusado ter direito de defesa. Cumprimentou o advogado e o levou até a sala onde estava seu cliente, deixando-os sozinhos.
Bruno estava bebendo água quando seu advogado e delegado entraram. A água desceu com certa dificuldade, quase engasgando-o.
O advogado olhou sem entender nada. Com certa decepção em seu olhar, pois não imaginava que seu cliente fosse capaz de cometer sequer algum crime. Foi logo olhar os autos para entender a situação, surpreso por precisar ir à delegacia para defendê-lo.
— Saí para trocar uma peça de roupa e parei aqui — Bruno estava apavorado.
— Calma! Vamos resolver essa situação — respondeu enquanto tirava seu notebook da bolsa.
— Obrigado — seu tom foi abaixando.
— Daremos um jeito — respondeu seu advogado.
Bruno suspirou, encarando-o. Sua mente era uma mistura de desespero, raiva e confusão. Fixou seus olhos no advogado.
Abriu os autos e se posicionou na cadeira. Começou a ler com muita atenção. A cada item lido, era uma expressão diferente: espanto, dúvida, decepção, indignação, deixando Bruno curioso. Jamais imaginaria que seu cliente fosse capaz de tal atrocidade. Mas naquele momento, o seu lado profissional foi solicitado, não o pessoal.
A leitura dos autos foi feita em silêncio, com cautela. Um deslize poderia mudar todo o rumo para seu cliente.
Respirou fundo. Olhou para Bruno.
Pavor. Tensão. Decepção.
Se entreolharam.
Conversaram por duas horas sobre o caso, com inúmeras orientações para Bruno não deslizar em nada, apesar do nível de dificuldade em relação aos autos e provas. O acusado estava impaciente, inquieto, sentindo-se sem rumo.
O advogado preparou tudo sem deixar nada escapar aos seus olhos, cada detalhe era de extrema importância.
— Estamos prontos? — perguntou para seu cliente após fechar o notebook.
Bruno respirou fundo, encarou suas mãos por alguns minutos e respondeu secamente:
— Sim.
Seu defensor levantou-se e seguiu para a porta, Bruno respirou fundo.
O delegado foi chamado.
Chegou com rapidez. Sentou-se de frente para os dois em silêncio.
O interrogatório iniciou.
O delegado estava ansioso para ver as tais provas, pois as dele não eram apenas relatos de vítimas e testemunhas, havia também fotos e vídeos dele. Como o advogado provaria o contrário?
O delegado arrumou sua postura na cadeira e pousou seu queixo sobre suas mãos cruzadas.
— Vamos começar por esses registros aqui — arrastou algumas folhas em direção ao Bruno. — Pode me responder sobre isso?
O advogado pegou as folhas e começou a ler atentamente. Eram registros de boletins de ocorrência. Todos sobre agressões e ameaças.
A cada linha lida, a expressão dele ficava mais tensa e confusa.
— Estou aqui para defender o Bruno, mesmo? — perguntava-se enquanto lia.
Para ele, eram inadmissíveis aqueles documentos, aquelas acusações. Não conseguia acreditar de jeito algum.
Releu.
Olhou para Bruno, balançando a cabeça negativamente, e deu os papéis para ele também ler.
Iniciou a leitura.
Pavor. Desespero. Dúvidas.
Bruno tremia cada vez mais, os olhos se enchiam de lágrimas, mas ao mesmo tempo, sua mente se embaralhava com aquelas informações, pois aquilo não fazia parte de sua vida.
O delegado estava surpreso pela “atuação” do acusado, pois, para ele, acreditariam facilmente se não soubessem do contexto. Ele sabia mentir até para seu advogado.
O delegado riu.
Bruno o encarou sério ao jogar as folhas na mesa em direção ao delegado.
O advogado conteve Bruno antes que o pior acontecesse.
A feição do delegado mudou instantaneamente.
— Você não acha que já está fodido o suficiente para agir assim COMIGO? — perguntou em tom alto.
Suspirou profundamente, irritado com o acusado.
Bruno deu de ombros, não estava entendendo nada. Olhou para seu advogado com olhos cheios d’água, implorando pelo olhar para que ele fizesse alguma coisa logo.
Mas antes de o advogado tomar qualquer decisão, o delegado mostrou outras evidências, muito mais claras e objetivas.
Bruno as segurou, trêmulo, com medo do que veria.
Paralisou.
Aquela evidência seria quase impossível de comprovar o contrário.
Uma foto nítida de Bruno.
Bruno não sabia o que responder, mas tinha plena consciência de que não cometeu nenhum crime.
— Como vou provar que não sou eu? — pensou, angustiado.
Olhou várias vezes aquela foto, tentando encontrar um erro, uma pista que dissesse o
contrário. Mas nada encontrou. Apenas a sua imagem.
— Qual desculpa vai me dar agora? — perguntou o delegado, sério.
Bruno engoliu em seco e olhou para seu advogado. Ambos não sabiam o que dizer.
— Me respondam! Qual desculpa vão me dar? Qual a defesa de vocês?
Bruno olhou a foto novamente e reparou na data e horário, lembrando que não estava na cidade. Ficou mais confuso, pois nitidamente era ele. Se perguntava como provaria não estar naquele local. Seu próprio advogado estava sem saber como prosseguir.
— Como vamos saber se não é manipulação? — arriscou o advogado.
Ao ouvir tal questionamento, o delegado o encarou sem acreditar, ficou perplexo. Riu nervoso e balançou a cabeça negativamente.
— Você realmente fez essa pergunta? Você realmente quer defender esse cara?
Olhares. Suspiros.
— Quero saber o que vão responder quando verem a última prova, estou muito ansioso pela resposta — riu de novo. — Mas quanto a essa prova, o que me dizem?
Se encararam. Silêncio.
Bruno realmente estava sem o que dizer e agora estava com muito mais medo das próximas provas. Tremia só de pensar em sair dali e ir direto para a prisão. Ele só queria ter trocado a peça de roupa, mas de repente a sua vida se tornou um inferno.
Seu pensamento foi interrompido pelo delegado, que já estava furioso com os dois, encarando-os ofegante. O advogado estava em completo silêncio, não tinha como provar, não aquela imagem.
Silêncio.
O delegado, impaciente com os dois, pegou o tablet e procurou um documento com atenção, olhando fixamente para a tela, sem piscar. De repente ficou quieto, ofegante. Olhou para Bruno, olhou para a tela. Respirou profundamente.
— Pode me explicar esse vídeo? — virou lentamente o aparelho na direção dos dois.
Apertou o play.
— Puta que pariu — Bruno sussurrou.
Naquele momento, simplesmente desistiu de se defender, o vídeo era nítido, claro, era ele. Mas como ele iria provar que não era?
O advogado abaixou as mãos e balançou a cabeça negativamente. Estava perdido, sem saber o que fazer. Respirou fundo e olhou para Bruno, implorando com o olhar para se entregar. Seu cliente o encarou com decepção.
Antes de o advogado agir, alguém apressado bateu na porta, parecia urgente. O delegado se irritou ainda mais.
— Agora não posso! Estou muito ocupado! — falou encarando-os dois.
— É urgente, delegado — uma voz feminina e tensa respondeu.
Respirou fundo e pousou o tablet na mesa. Sem tirar os olhos de Bruno e seu advogado, se levantou e seguiu com passos acelerados até a porta.
— O que foi? — perguntou ríspido.
— O suspeito não é ele, senhor — sua voz estava trêmula.
— Como não? Tenho todas as provas nas mãos! Não estão nem conseguindo provar o contrário — disse sentindo-se confuso e irritado.
— Por favor, vamos até a sala onde está o outro suspeito — respondeu em tom baixo, completamente nervosa.
O delegado a olhou nos olhos e suspirou. Sem dizer nada, voltou para a sala e demorou alguns minutos. Voltou e acompanhou a moça, uma policial. Era um caso que nunca presenciou, o que a deixou nervosa.
Caminharam em silêncio. O delegado ainda estava sem entender, não conseguia acreditar que poderia ser outro.
Então a policial parou. Olhou para a porta, para o delegado, e apontou para a porta com sua mão canhota. Sem hesitar, abriu a porta.
O delegado paralisou, arrepiou, sentindo-se tonto. Tudo começou a fazer sentido, tudo se encaixou. Mas sua raiva se intensificou por não ter notado nenhum sinal.
Entrou na sala e fechou a porta sem tirar os olhos da pessoa. Sua feição agora era fechada, séria, atenta. Sentou-se e olhou para todos que estavam na sala.
O suspeito se ajeitou na cadeira e encarou o delegado sem medo algum. Se olharam por alguns minutos em silêncio.
O delegado riu nervoso.
Desconfiança.
— O dia será longo hoje… — seu tom era baixo e calmo. — Como vou saber se não foram cúmplices um do outro? — perguntou inclinando seu tronco para frente.
O suspeito olhou confuso com a pergunta.
— Não se faça de desentendido, você sabe muito bem do que estou falando! — o tom aumentou, quase um grito.
O homem à sua frente só encarava se sentindo confuso.
O advogado do suspeito interrompeu o delegado:
— O meu cliente só vai responder perguntas referentes às acusações — disse olhando nos olhos do delegado, seu tom era seco e direto.
O delegado respirou fundo e olhou para os dois. Estava mais irritado. Posicionou-se na cadeira.
Naquele momento, nasciam muitas dúvidas em sua mente, se havia cumplicidade ou não.
Iniciou.
As defesas mostradas pelo advogado eram todas desmascaradas, nada passava aos olhos do delegado, o que respondia cada vez mais à sua dúvida. Mas antes de finalizar, resolveu dar a cartada final para o caso, porque naquele momento já tinha a resposta.
Algumas horas depois, os questionamentos cessaram. A sala ficou quieta, tensa. O delegado os olhou novamente, com imensa raiva, mas se contendo, tentando manter seu profissionalismo.
— Só um momento.
Se levantou e saiu da sala em silêncio. Foi para onde estavam Bruno e seu advogado. Ao abrir a porta, olhou indignado para Bruno. Questionando-se como era possível.
Os dois, que já estavam há horas naquela sala, ansiavam por uma resposta imediata, como prosseguiria dali para frente, com receio de que as poucas evidências entregues não fossem suficientes para Bruno.
A porta se fechou.
— Então? — perguntou o advogado, impaciente.
— Você não está esquecendo de nenhuma informação? — direcionou-se a Bruno.
— Eu fui sincero em todas as respostas. Até agora estou sem entender nada.
A indignação e a confusão se misturaram. Mas a sua mente começava, mesmo que lenta, a clarear sobre o caso. O que deixava-o impressionado por aquela situação.
Depois de muito pensar, tomou a decisão de não seguir o procedimento correto. Sabia que seu trabalho estava em jogo, mas havia só uma maneira de solucionar o caso, e não era do modo correto.
— Preciso de vocês na outra sala, junto com outro suspeito e o advogado dele — declarou sem cerimônia.
— Estou aqui pelo meu cliente — posicionou-se.
— Olha, tá tudo estranho na minha cabeça, estou confuso. Vocês, principalmente Bruno, precisam ir até a outra sala, porque talvez lá esteja a resposta.
— Eu quero ir embora, não cometi crime algum! — exautou-se.
— O caso está perto de ser solucionado, mas preciso de vocês na outra sala para…
— Você sabe muito bem que esse não é o protocolo que devemos seguir, não sabe? — o advogado interrompeu o delegado.
— Tenho plena consciência — respondeu em tom seco.
Antes de um deles se opor, o delegado se levantou sem dar atenção.
— Por favor, me acompanhem!
Os dois se olharam confusos e irritados. Concordaram com a cabeça e decidiram acompanhar o delegado.
Os policiais os acompanharam, um ao lado do outro. Bruno se incomodou, mas não queria piorar aquela situação estranha, só queria ir para casa e abraçar sua família.
Deram poucos passos até a outra sala. Quando pararam, o advogado olhou nos olhos de Bruno, esperando que não desse nada de errado.
O delegado pousou sua mão canhota na maçaneta gelada e perguntou:
— Você tem certeza de que não está omitindo nenhuma informação?
— Eu…
— Não estamos colhendo depoimento no momento — se opôs o advogado.
O delegado bufou.
Sem cerimônia, abriu a porta, permitindo que Bruno entrasse primeiro.
O advogado arregalou os olhos quando olhou o interior da sala, entendendo imediatamente a situação.
Os policiais se entreolharam perplexos.
“Daria um ótimo filme!” — pensou um deles, se contendo.
Os policiais que estavam na sala não reagiram, mas ficaram admirados com a situação, que era inédita para ambos.
O delegado riu baixo com a reação deles, não esperava menos. Sua maior atenção foi para Bruno, que, antes de dar o próximo passo, seu corpo paralisou.
Seus olhos se fixaram no outro acusado, sua respiração ficou irregular, seu coração errava as batidas e seu estômago se revirou, lhe causando um forte enjoo. Não sabia como agir. Estava prestes a vomitar. Voltou para fora, sentindo falta de ar, precisava absorver que, à sua frente, estava seu irmão gêmeo idêntico, ao qual nunca soubera.
O outro acusado olhou para Bruno sem entender nada, ficando irritado e confuso. Se perguntava por que nunca disseram sobre esse fato.
Confusão mental.
O delegado pediu para que entrassem na sala, queria concluir o quanto antes aquele caso. Bruno entrou por último.
— Por que nunca me disseram sobre você? — os gêmeos perguntaram em uníssono.
Se encararam.
A sala ficou em silêncio.
— Minha mãe adotiva nunca quis revelar o paradeiro da minha mãe de sangue. Muito menos sobre eu ter irmão gêmeo… — disse em tom baixo, desviando o olhar de Bruno.
— Não estamos aqui para debater casos de família. Aqui na sala há o verdadeiro criminoso — interrompeu. — Preciso colocá-lo onde deve.
Já não havia mais comoção, só tensão.
Olhares percorreram a sala, encarando uns aos outros. O suspeito, irritado por seu plano não dar certo, resmungou, encarando seu irmão. Bruno não se comoveu, afinal, se ele não era o culpado, então era seu irmão, ou seja, não o apoiaria em momento algum.
O delegado juntou os casos para recolher os depoimentos. Já não havia mais dúvidas de quem era o verdadeiro criminoso. O advogado tentou inverter a situação, colocando Bruno como o culpado, mas a defesa dele foi rápida.
Desentendimento.
Com muito custo, o delegado conteve os acusados e seus defensores. Foi um longo e cansativo processo, com muitas farpas, deixando clara a inocência de Bruno.
Liberdade.
Ao ouvir o decreto de sua liberação, saiu junto de seu advogado sem olhar para trás, sem ter remorso de deixar seu irmão prestes a ir preso porque não compactuava com nada do que ele cometeu.
Mas esse não foi o ponto final.
Bruno foi atrás de respostas sobre seu irmão e o porquê da separação deles, mas nunca conseguiu encontrar respostas, sua mãe levou consigo, deixando uma grande interrogação entre eles.
Nunca se interessou em saber sobre seu irmão. Só descobriu o nome dele no fatídico dia: Brian.
Após um mês, por meio de seu advogado, soube que seu irmão ficaria vinte anos na cadeia. Para Bruno, sua vida seguiu depois da notícia.
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