No Ritmo da Orquestra

Frio na barriga. Era o que eu sentia enquanto seguia para o meu destino: um mistério.

O ar-condicionado do táxi estava bem gelado, agradável. Meu sobretudo, a única peça que cobria minha lingerie de renda, me aquecia completamente. Naquele dia, eu estava usando um tom de vermelho intenso, que se destacava muito no tom de minha pele.

O destino era distante de minha casa, eu tentava relaxar ao máximo. Trocava algumas palavras com o motorista, que era muito gentil e educado. Eu me sentia confortável, mas, ao mesmo tempo, nua. Essas sensações me agradavam, a minha Dona sabia muito bem como eu me sentia nessas situações.

Da metade até a chegada, o motorista contou uma história que passou em sua fazenda. Foi uma história engraçada, fiquei tranquila e meu coração desacelerou.

Ansiedade.

Quando me dei conta, chegamos ao destino: o prédio onde minha Dona morava. Suspirei ao olhar para a janela do apartamento dela e sorri. Mas sorri muito. O motorista entendeu onde eu havia chegado. Fiz o pagamento, agradeci e segui ao meu destino.

Ansiedade. Tesão.

Caminhei lentamente, todo o final de semana seria nosso, então não tive pressa, apesar da ansiedade. Observava todo o movimento à minha volta, cada movimento único de cada pessoa. Todo mundo tem sua singularidade. Sempre gostei de observar.

Entrei no hall do prédio, sorri para a moça que estava saindo, mas logo ruborizei, lembrando da minha vestimenta.

Ri brevemente, balançando a cabeça em negativo.

O som de meu salto alto ecoava no hall, anunciava a minha chegada antes de eu dizer alguma palavra. Eu olhei tímida para a recepcionista e informei qual apartamento eu ia. Informei meu nome e o de minha Dona. Confirmado. Fui liberada.

A partir daquele momento, os meus passos tinham pressa. Pressa para vê-la, pressa para servi-la, pressa para ser Dela. Era o meu momento favorito da semana.

Frio na barriga.

Segui até o elevador e apertei o botão. Chegou em cinco segundos. Entrei e apertei para o andar desejado.

Sorri, suspirei e arrepiei.

O frio na barriga se intensificou com o descer do elevador, uma sensação gostosa.

Mais sorrisos.

Cheguei ao destino antes de me preparar, a porta estava aberta, convidando-me a ir logo, dando-me caminho para a felicidade.

Saí imediatamente e dei apenas alguns passos.

Dei três batidas na porta, esperei dez segundos e abri a porta. Esse era sempre o nosso combinado. Entrei com calma, olhando a sala que me esperava.

Estava gelada, o que indicava que em breve sentiríamos muito calor.

Porta trancada.

Tirei meu sobretudo e coloquei no cabideiro, que ficava ao lado direito da porta. Retirei a xuxinha do bolso direito e coloquei em meu punho.

Meu corpo tremeu completamente, o ar estava muito mais gelado do que o do táxi, agora só a lingerie cobria meu corpo.

Sorri.

Observei novamente a sala, agora notando o aroma da vela. Doce na medida certa. A sala estava com pouca iluminação, mas o suficiente para termos a visão de tudo. As cortinas estavam fechadas, mas eram translúcidas. Deixava tudo muito agradável e aconchegante.

Como combinado, ajoelhei-me de costas para o corredor, onde ficavam os quartos.

Toda sessão me causava um frio na barriga, uma ansiedade. Tudo para ter minha Dona logo. Fiquei ali de costas, esperando, prestando atenção em cada som do apartamento.

Coração acelerado.

Após alguns minutos, ouvi o barulho do salto dela, do salto que ela usava em ocasiões muito específicas. Respirei fundo e arrumei minha postura. Os passos se aproximavam cada vez mais de forma elegante, com passos firmes.

O perfume amadeirado penetrava em meu nariz, eu respirei fundo. O cheiro dela sempre será o meu favorito.

Os passos dela cessaram atrás de mim e um silêncio tomou conta da sala. Nossa respiração ficou sincronizada, eu as ouvia perfeitamente. Isso me fez sorrir novamente, éramos extremamente sincronizadas.

Eu pude sentir que ela sorria também. Sabia que isso me tirava do sério. Quase me virei para vê-la, mas me contive.

— Seja bem-vinda — sussurrou em meu ouvido esquerdo, me desconcentrando completamente.

Arrepiei. Suspirei. Sorri.

— Amarre seu cabelo, por favor — sussurrou novamente.

Com todo o cuidado e destreza, eu a obedeci. Fiz um rabo de cavalo firme, preparado para os puxões que levaria. Fiquei posturada novamente, sem saber o que viria.

Ansiedade.

O toque quente da mão dela tocou em minhas costas lentamente, iniciando na base das costas, subindo aos poucos. Meu corpo se arrepiou completamente, me deixando levemente amolecida, desconcentrada. Tive de respirar muito fundo nesse momento.

Ouvi uma risada baixa e provocativa, como se ela conseguisse o que desejava. Ruborizei.

A mão dela ia subindo lentamente, sem pressa alguma, mas as pontas dos dedos estavam firmes, explorando a minha pele, o meu calor. Meu corpo se arrepiava com frequência, me dando calafrios.

Agora não era só a mão, mas também os lábios macios dela, dando beijos no meio das minhas costas, deixando um caminho por onde os lábios se depositavam em meu corpo.

Gemi. Arrepiei.

Os lábios e dedos estavam subindo, me deixando cada vez mais tentada. Chegou em minha nuca, dando um beijo demorado enquanto segurava delicadamente o meu cabelo.


— Puta que pariu… — xinguei mentalmente.


Meu corpo tremeu.

Outra risada.

Ela subiu os lábios até minha orelha direita, mordiscou o lóbulo e sussurrou:

— Você está muito linda e cheirosa, minha querida.

Nesse momento, os arrepios vieram intensos. Eu sorri mais ainda, estava boba. Aquela voz doce e calma me desconcertava positivamente. A voz dela me acalmava.

Mas, de forma abrupta, ela se afastou. Eu sentia os olhos dela percorrerem o meu corpo, me encolhi sem perceber. Voltei à realidade quando ela caminhou, dando passos firmes, o barulho do salto era tão alto quanto o meu. Parou novamente por alguns minutos, ficando em silêncio. Não identifiquei o seu próximo ato, então apenas a esperei.

Voltou a andar, indo em minha direção. Seus passos não tinham nenhuma pressa, ela nunca tinha pressa quando o momento era nosso.

Parou novamente atrás de mim e ficou por um breve momento quieta. Talvez me observando? A vontade de olhá-la nos olhos era imensa. Mordi meu lábio inferior para me conter.

Então vi as duas belas mãos. As mesmas que me causavam dor e amor ao mesmo tempo. Seguravam uma faixa longa preta em cetim. Reconheci de imediato. Sorri muito, muito mesmo!

Levantei a cabeça e fui vendada.

— Está apertado? — ela perguntou em tom firme.

— Não, Senhora — respondi delicadamente.

Ela soltou as mãos da faixa e tornou a andar.

Estava de frente para mim, me deixando mais nervosa, mais sem jeito. Senti novamente seus olhos percorrerem o meu corpo. Riu baixo, como se conquistasse mais um objetivo.

Ela pegou minhas mãos e levou-as para seu rosto, permitindo-me acariciá-la. Deslizei minhas mãos pelas laterais do rosto, os meus polegares em cada bochecha, acariciando delicadamente. Pele macia quanto um veludo, estava quente, ardia em chamas. O calor que me queimava. Das bochechas, foram para seus lábios, acariciei devagar. Ela depositou um beijo em cada dedo. Segurei seu rosto com firmeza e tentei trazê-lo para mim, sentia vontade de seus beijos. Quando senti sua respiração perto da minha, me interrompeu rindo.

— Calma, senhorita apressada — riu.

Afastou seu rosto do meu. Eu bufei. Segurou minhas mãos e entrelaçou nossos dedos. Meu corpo se arrepiou. Sorri. Eu não tinha medo algum de me entregar, ela sabia muito bem conduzir.

— Levante-se — respondeu firme, mas ainda assim, suave.

Segurei nas mãos dela e me levantei com cuidado, tendo a sua ajuda.

Eu estava em pé, de frente para a mulher mais linda que eu já conheci. Eu sentia muito mais intenso o perfume dela, fazendo-me ficar levemente ofegante. Ela com certeza é a minha perdição!

Ela colou seu corpo no meu, beijou meu rosto, os dois lados, foi descendo até meu pescoço, dando vários beijos nele junto de algumas mordiscadas. Eu suspirei, me arrepiei. Tive vontade de agarrá-la e encher de beijos. Tirar a minha venda e a olhar nos olhos. Aqueles olhos castanhos hipnotizantes. Inclinei minha cabeça para trás, dando caminho para ela, mas minha Dona parou naquele instante. Resmunguei baixo, ela percebeu e riu. Eu ri junto. Eu tinha pressa para tocá-la, para amá-la.

Ela se afastou.

Segurou novamente as minhas mãos e me guiou. Nossos saltos estavam em perfeita sincronia, mesmo assim, era possível distinguir nossos passos. O dela era mais firme e o meu, cauteloso. Caminhamos por alguns metros e chegamos ao destino.

Desconfiei ser um dos meus cômodos favoritos. Onde tudo acontecia. Onde esquecíamos de tudo ao nosso redor.

Os passos cessaram.

Ela soltou minhas mãos e tornou a andar. Abriu a porta e me guiou para dentro. Demos alguns passos e paramos novamente.

— Não se mexa — ela ordenou, beijando quase a minha boca.

Respirei fundo.

Ela se afastou de mim novamente, deu alguns passos e parou. Começou a manusear alguns acessórios, mas não consegui identificar. Mas me arrepiei quando ouvi o som nítido de corrente. Sorri largamente. Mordi meu lábio inferior para me conter.

Ela mexeu por mais uns minutos e se aproximou de mim.

— Estique os braços para frente — pediu em tom firme.

Obedeci.

Ela passou as pontas dos dedos em meus braços, causando-me um gostoso arrepio. Sorri e mordi meu lábio inferior. Os dedos se afastaram. Senti o que pareciam os braceletes de couro. Pelo peso, supus que a corrente estava neles. Meu corpo se arrepiou novamente. Ela colocou com firmeza, porém com extremo cuidado, os deixando presos e seguros em meus punhos. Puxou a corrente com força para testar, colando novamente nossos corpos que já queimavam. Desequilibrei-me, mas ela segurou-me, envolvendo os braços em minha cintura, descendo sua mão destra, apertando com força a minha bunda. Tremi, suspirei. Nossa respiração estava ofegante. Uma desejava a outra. Procurei pelos lábios dela, mas ela afastou porque eram a minha recompensa e sabíamos que os lábios se tocarem era a entrega para nos queimarmos.

Ela afastou o corpo do meu e puxou a corrente. Deitou-me de bruços na mesa, apenas o meu tronco. Puxou meus braços para a frente, prendendo com firmeza, de um jeito que me deixava confortável. Meu rosto estava virado para a direita, na direção da porta. Deu poucos passos, ficando atrás de mim, percorreu suas mãos e depositou mais beijos, porém mais demorados.

Eu estava presa, meu corpo entregue completamente a ela. Eu a pertencia.

Ela andou novamente, um pouco mais distante. O cômodo era grande. Andou para o meu lado direito e parou, mexendo em algo desconhecido pela minha audição, a música me desconcentrava.

À direita, costumavam ficar os chicotes e floggers. Suspirei. Tentei adivinhar pelo som qual ela pegava, mas sem sucesso.

Os passos voltaram em minha direção, devagar, como se me observasse enquanto andava. Parou bruscamente. Ficou quieta, parada.

Eu tremi, arrepiei. Tentava adivinhar o próximo passo, mas fui surpreendida com o acessório na minha panturrilha direita, subindo levemente até chegar em minha bunda. Meu corpo se arrepiou agressivamente. Sorri.

Deitou-se sobre mim e segurou minha cabeça com firmeza, aproximando seus lábios da minha orelha direita.

— Preparada? — perguntou em tom baixo e sedutor.

Engoli a seco. Respondi que sim com a cabeça.

— Preparada? — seu tom era mais alto e firme.

— Sim, senhora! — respondi firme.

— Boa garota! — respondeu, rindo baixo, dando um beijo em meu rosto, perto dos meus lábios.

Ela subiu o acessório até minhas costas, passando por tudo para que eu sentisse. O toque era gelado, mas ainda assim, confortável. Deduzi ser o flogger de couro dela. Mas era impossível especificar qual.

Mais arrepios.

Soltou sua mão de meu cabelo e mexeu em algo. Logo entendi.

Mudou a música. Agora ecoava "Carmina Burana" no cômodo.

O flogger se afastou do meu corpo. Ela afastou minhas pernas. Agradeci por estar vestida, meu corpo denunciaria nesse momento o quanto eu estava molhada.

Tremi dos pés à cabeça. Senti frio na barriga. Não era medo, era tesão, ânsia por aquele momento. Ela, de fato, observava cada detalhe de nossas conversas, e anotava tudo. Aquele momento só me confirmou o quanto ela era a mulher da minha vida.

O primeiro impacto veio. Leve. Me desequilibrando brevemente. Posicionei-me. A música estava lenta ainda, calma como o olho de um furacão, que a qualquer momento a tempestade voltaria.

Ela colocou a mão no local do impacto, massageou com todo cuidado, causando-me um delicioso arrepio. Gemi. Ela retirou a mão.

Segundo impacto. Mais forte agora. Meu gemido saiu alto o suficiente para ecoar no ambiente. Mantive-me firme. Meu corpo trêmulo, arrepiado. Imaginava que o próximo seria mais forte.

A tempestade do furacão chegou. Os impactos estavam fortes, ritmados, em perfeita sintonia com a música. Minha bunda ardia, mas eu gostava daquela dor. Queria mais.

Desde a música, até os impactos do flogger me deixavam excitada. Intensificava ainda mais com o toque dela, o calor de sua pele sobre a minha, aumentando o fogo.

Minha mente estava indo para outro lugar, mas logo voltei à realidade. O impacto veio forte, intenso, firme! Gritei! Respirei fundo, me posicionando na mesa. Tremi. Retraí quando minha Dona acariciou minha pele atingida. Não era tremor de dor.

— Se lembra do nosso combinado? — perguntou após levantar minha cabeça com firmeza.

Sua voz era autoritária, sedutora, irresistível. Engoli a seco e respondi imediatamente:

— Sim, Senhora! Eu me lembro.

— Ótimo — beijou meu rosto. — Se lembra da palavra-chave?

— Sim, Senhora! Das duas — respondi logo em seguida.

— Boa garota! — beijou meu rosto novamente e o acariciou.

Sorri.

Soltou meus cabelos e se distanciou novamente. Ouvi o som do acessório que me atingiu minutos atrás. Meu corpo se arrepiou todinho! Lembro da sensação como se fosse ontem.

Senti o flogger no outro lado da minha bunda, onde foi pouco atingida. A música recomeçou, era apenas o início dela, o trecho mais exaltado. Me preparei e contei até três mentalmente.

Minha Dona acariciou minha pele, dando alguns selinhos enquanto levava seus dedos entre minhas pernas. No primeiro toque, ela riu. O tecido estava úmido. Os golpes eram um dos meus pontos fracos, me desmanchavam fácil.

Ruborizei. Tremi com o toque dela e torci para que ela não continuasse, eu sabia que não me seguraria por muito tempo. Tentei focar em outras coisas, mas ela me conhecia muito bem. Com sutileza, ela percorreu seus dedos. A sua sutileza era totalmente perigosa.

Ela pressionou os dedos contra o tecido. Afastei minhas pernas discretamente, um convite. Ela percebeu, riu baixinho e tirou seus dedos.

Bufei.

A atenção dela voltou para o flogger, passando delicadamente em minha pele, me deixando muito mais sensível. Meu corpo se arrepiou todo.

Ela reiniciou a música, quase nos esquecemos dela.

Quando o acessório se afastou, me preparei para os próximos impactos.

O volume ficou mais alto.

Ela segurou meus cabelos com firmeza, quase com agressividade. Uma maneira que eu amava. Fechei meus punhos por breves minutos, isso ajudava-me.

O impacto veio e com força. Dessa vez não tinha delicadeza. Meu gemido saiu antes que eu mordesse meu lábio.

Veio o próximo. Intenso como um vulcão, mas ainda assim a força que eu gostava, que meu corpo se excitava. Meus gemidos ganharam vida própria, saíam sem aviso. No sexto impacto, meu corpo tremia completamente, era uma junção de dor e tesão: a união perfeita!

Ela percebeu e parou. Acariciou minha pele ardendo. Eu gemi e tremi de novo, estava perto do meu limite. Ela apertou a mão com firmeza, mas com cuidado, eu nunca soube explicar a destreza dela. Mas eu gemi de dor, tremi.

Ela largou o flogger.

Beijou minha pele e apertou novamente, fazendo-me gemer ainda mais alto. A dor era intensa, mas logo a minha concentração foi em seus dedos entre minhas pernas de novo, porém por dentro da calcinha.

O modo de ela dizer para eu gozar.

Obedeci!

Melei cada dedo, mostrei como ela me deixava e o quanto eu gostava daqueles momentos.

No cômodo, soavam apenas nossos suspiros e gemidos, a orquestra cessou. Ela tirou a música tão rápido que nem notei, uma habilidade que sempre admirei.

Com a mão livre e sem pressa, removeu os braceletes com cuidado. Por último, a venda.

Eu apenas a puxei para mim, sem sair da posição, e a beijei. Queria o incêndio que causávamos. Queria sentir o calor de seu corpo.

Ela retirou os dedos e me deitou de frente para ela. Senti uma intensa ardência onde fui atingida, mordi meu lábio para conter o gemido de dor.

Nos olhamos profundamente. Uma procurando pela outra, uma implorando pela outra. Puxei novamente para mim. A beijei com intensa vontade.

Meus dedos exploraram cada parte dela, acariciaram toda sua pele.

Quando a senti escorrer, provei. Provei o meu sabor favorito: ela!

A dor? Foi só um detalhe a mais! 

O incêndio foi em grande proporção, nos queimamos completamente naquele dia.

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