Postagens

Memória Oculta

  Era uma manhã fria e nublada. O casal organizava o quarto. A mulher reorganizava as gavetas do guarda-roupa, dobrava peça por peça de forma sistemática; tinha de ser exatamente do mesmo jeito em todas as peças. Foi assim em todas as gavetas, indo para os cabides, organizando por cores. Tanto suas roupas quanto as de seu marido. Seu marido sempre ficava encantado com o arco-íris formado pelas roupas. Deu risada. Marieta se virou em direção a ele e entendeu o motivo do riso. Riu junto. — Eu sei que você gosta dessa variedade de cores — disse ajeitando a última peça do cabide. — Eu amo tudo o que você faz, meu amor — respondeu sorrindo para sua esposa. Marieta sorriu. Quando terminou, foi para a cômoda, mas dessa vez precisaria da ajuda de Ricardo. Queria muito participar do arco-íris. Marieta retirou todas as peças de todas as gavetas, as colocando na cama, e o homem entregava peça por peça de acordo com a cor que ela pedia. Assim, ele foi a ajudando, cor por cor, se encantando. Um...

Ligação

Já estava na quinta tentativa de fechar a porta, mas nada a ajudava. Respirou fundo, olhou a fechadura e desistiu. Estava no seu limite.  Se sentou no sofá e encarou a velha porta entreaberta. Toda vez conseguia arrumar aquele pequeno problema, porém, desta vez, foi vencida. Resmungou baixinho.  Deixou de lado a porta o restante do dia, não sairia de casa, então não teria preocupação em deixá-la aberta durante o dia, o problema seria à noite, mas seu filho a ajudaria nessa questão.  Se levantou e foi para os afazeres de casa, encostando a porta e colocando seu peso de porta velho em formato de coelho. Sorriu para o acessório e seguiu para a cozinha.  Passou todo o dia arrumando casa, preparando jantar, tudo o que achava necessário fazer, claro, sempre analisando a porta. Mas estava tudo em ordem, então ela voltou para suas tarefas, que levaram o dia todo a serem concluídas.  Quando o sol já se despedia, seu filho chegara.  Ao entrar, abraçou sua mãe, contan...

Acredite Se Quiser

Estava decidida a desmistificar aquele ritual. Estava exausta de ouvir tantas falácias, tantas mentiras. A estrada estava vazia, passava poucos carros naquele caminho. A iluminação era quase nula, somente a luz da lua a guiava, mas o caminho era conhecido, então não teria dificuldade para chegar. A distância do local era de duas horas, já estava acostumada. A breve viagem foi tranquila, calma, porém a possibilidade de revelar toda a verdade a deixava um pouco tensa, afinal, ninguém teve tal coragem. O perigo era nítido ! Logo viu a placa com o nome da fazenda da qual agora estava abandonada. Suspirou, olhou para os lados e desligou o carro pouco antes da entrada. Ficou no total escuro por alguns minutos refletindo seu ato. Desistir não era seu plano. Ficou por um tempo de olhos fechados repassando mentalmente toda a sua ideia, se descuidar custava a sua vida. Respirou profundamente e abriu seus olhos devagar. Naquele momento, nem a luz da lua a acompanhava, ela estava completamente soz...

Translate