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Acredite Se Quiser

Estava decidida a desmistificar aquele ritual. Estava exausta de ouvir tantas falácias, tantas mentiras. A estrada estava vazia, passava poucos carros naquele caminho. A iluminação era quase nula, somente a luz da lua a guiava, mas o caminho era conhecido, então não teria dificuldade para chegar. A distância do local era de duas horas, já estava acostumada. A breve viagem foi tranquila, calma, porém a possibilidade de revelar toda a verdade a deixava um pouco tensa, afinal, ninguém teve tal coragem. O perigo era nítido ! Logo viu a placa com o nome da fazenda da qual agora estava abandonada. Suspirou, olhou para os lados e desligou o carro pouco antes da entrada. Ficou no total escuro por alguns minutos refletindo seu ato. Desistir não era seu plano. Ficou por um tempo de olhos fechados repassando mentalmente toda a sua ideia, se descuidar custava a sua vida. Respirou profundamente e abriu seus olhos devagar. Naquele momento, nem a luz da lua a acompanhava, ela estava completamente soz...

A Decoração

  Dia 31. Outubro chegou ao fim. O que significava que a casa da esquina da rua T. teria muitos visitantes para apreciar sua decoração temática de Halloween; Era a atração mais aguardada. Principalmente por Helene. Já estava preparando seu café, pois logo iria para o trabalho. Ligou a tevê e como de costume, deixou no noticiário. Enquanto esperava seu café ficar pronto, combinou com seu amigo de se encontrarem na casa dele antes do horário que os moradores abriam a casa para visitação, sua ansiedade era imensa. Continuaram conversando por mais alguns minutos dando palpite do tema da decoração do ano e por fim, se despediram. Atenta a televisão, tomou seu café em silêncio, somente movendo sua cabeça negativamente conforme escutava as notícias sobre política. Logo finalizou e saiu de casa. Helene já estava a caminho do trabalho. Seu dia foi completamente monótono, estava acostumada. A cada tic-tac do relógio sua ansiedade aumentava. Sua noite seria exatamente de seu agrado. Ou não. A...

Alimento Venenoso

No relógio marcava 00h00 quando Natacha decidiu ir para a sua casa. Estava na casa de sua amiga, que fizera uma pequena festa entre os amigos. Moravam próximas. Natacha sentia um pouco de medo da noite, porém desta vez teve de ir sozinha para seu lar. Deu mais um abraço em sua amiga, despedindo-se dos demais. Olhou para a rua através das grades do portão e certificou-se de que estava vazia, que para ela, era mais seguro. Já na calçada, observou o movimento e estava completamente vazia à não ser por alguns gatos perambulando no local. Ela suspirou e deu seu primeiro passo, sentindo-se segura para prosseguir, indo em direção ao caminho mais rápido, uma estrada de terra, com pouca movimentação. Estava esfriando, o outono estava dando seu lugar para o inverno. O vento que soprava sobre Natacha, guiando seu cabelo para uma dança agitada, estava gelado, mas ainda suportável. Com sua pele completamente arrepiada, acelerou os passos, torcendo para chegar logo em sua casa. O que lhe acalmava er...

Magda M.C

O dia estava frio, nublado. Havia uma moça perdida onde o silêncio prevalecia e somente os cantos dos pássaros ela ouvia. Caminhou alguns metros adiante e sentou-se na gélida pedra de cimento, que possuía uma estátua de uma mulher de costas para quem chegasse. Nela, a falecida estava ajoelhada, com o cabelo levantado pelo vento e as mãos apoiadas nos joelhos. Seu rosto estava coberto pelo cabelo, não dava para ser identificada, a foto na lápide estava manchada. Olhou o nome e estava apenas escrito Magda M.C. Com as datas: 1960-1984. A estátua, seu nome e data eram as únicas coisas que se referiam a quem morreu. Ela lamentou tentando imaginar o que acontecera com Magda e se levantou com sua cabeça baixa. Por algum motivo a morte dela lhe entristeceu. Com tristeza em seu peito, caminhou em direção ao final do cemitério e lá ficou em um mausoléu abandonado, escondida das pessoas que aos poucos lotava o local. Era alguma data em especial, porém ela não sabia qual. Encolheu-se no mausoléu e...

Novo Vizinho

Apenas três dias que o moço se mudou e já percebo atitudes estranhas vindo dele. Curiosa como sou, decidi investigar por conta própria. Ele já começa logo cedo, às 06h00. Levantei com muito esforço às 05h00 para me preparar, então me levantei, tomei meu banho, preparei o café e depois de tudo organizado, me sentei em frente à janela que dá de frente para a casa dele. Com caderno e caneta, fiquei na espera. Ele era pontual, então fiquei assistindo qualquer coisa na televisão até o horário, que parecia nunca chegar. Olhava para o relógio com a ansiedade aumentando cada vez mais, até que na próxima checagem, o ponteiro estava marcando o horário tão aguardado. Desliguei a televisão, posicionei minha cadeira de maneira que ele não me visse. Logo saiu. Sempre com expressão de cansaço, parecia estar ansioso, preocupado. Segurei meu caderno e caneta, comecei a anotar. 06h00: coloca dois sacos de lixo (nesses três dias foram exatamente dois) ao lado de sua lixeira, analisa o movimento da rua co...

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